FALTA QUALIDADE NAS ESCOLHAS DA ALIMENTAÇÃO FORA DE CASA
Brasileiro
está comendo mais açúcar, gordura e sal
(*) Por: Antônio
Coquito
O brasileiro come mal quando se refere à qualidade
nutricional. As consequências da má alimentação são o crescimento de doenças
como câncer, cardíacas, diabetes, hipertensão, obesidade, dentre outras. Cerca
de 70% (setenta por cento) da população faz suas refeições em bares,
restaurantes, lanchonetes e nos locais de trabalho e estudo. A realidade pode
ser constatada na pesquisa sobre a Análise do Consumo Alimentar Pessoal no
Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
COMO COMEMOS
Café da manhã, lanches
rápidos, almoço e jantares. A vida cotidiana força à “alimentação na rua”. Os
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e Ministério
da Saúde (M.S.), na Pesquisa Medidas Referidas para os Alimentos Consumidos no
Brasil - Pesquisa de Orçamento Familiar (POF-2008-2009) mostram mudanças
significativas no hábito alimentar. As opções arroz, feijão, café, sucos,
refrigerantes e carnes bovinas continuam tendo seu lugar nas opções de
alimentos.
A radiografia do hábito alimentar, constatada na POF,
preocupa ao apontar o crescimento do consumo de açúcares, gorduras e sódio.
Traduzindo, aumentou a ingestão de biscoitos recheados, salgadinhos, pizzas,
doces e produtos com alto teor calórico e com insignificantes valores nutricionais.
No contraponto, cerca de 90% (noventa por cento) dos brasileiros não consomem
frutas, legumes e verduras como orienta o Ministério da Saúde (M.S). Somando-se
a ingestão de cálcio, vitamina D e Vitamina E, que tem sido extremamente baixo.
DADOS ALIMENTARES
O IBGE junto com o MS
sinalizam que os hábitos dos brasileiros que vivem nas cidades concentram-se
em: salgados fritos ou assados (53,5%), pizza (42,1%) e sanduíches/hambúrgueres
(41,8%). Ao lado destes dados, outros números preocupantes são os de bebidas em
excesso. Os consumo de bebidas destiladas (50%) e de bebidas não alcoólicas
(47,9%). Já para a população que vive no meio rural, os dados apontam: sorvete
(56,3%), pizza (52,6%), salgados fritos e assados (48,4%), bebidas destiladas
(26,4%), refrigerantes diet-light (31,5%) e para o regular (36,5%)
Na zona rural, segundo informações do IBGE/MS,
há grande consumo de arroz, feijão, batata-doce, mandioca, farinha de mandioca,
manga, tangerina, peixes frescos, peixes salgados e carnes salgadas. Porém, nas
cidades, os alimentos em alta são os prontos para o consumo e/ou processados
como o pão de sal, biscoitos, iogurtes, vitaminas, sanduíches, salgados fritos
e assados e pizza. Além destes, os refrigerantes, sucos e cerveja.
As informações acima
se somam aos dados recém divulgados pela pesquisa Vigilância de Fatores de
Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico - Vigitel 2011
- que confirma a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares. Os dados da
pesquisa Vigitel chamam a atenção para 49% da população brasileira com excesso
de peso, configurado no alto consumo de refrigerantes e alimentos gordurosos.
COMPORTAMENTO ALIMENTAR
O Instituto Data Popular averiguou o perfil do brasileiro que se alimenta fora de casa. De 65,3% da população, a classe C representa o maior percentual (54,6% ). Seguindo, a classes DE (20,6%) e as classes AB (19,4%). Almoço, lanche, jantar e café da manhã. Nesta ordem estão as refeições feitas pelos brasileiros.
No conjunto das
refeições, o almoço tem a maior concentração de pessoas. O fato se deve à
jornada de trabalho, que obriga com que a opção seja feita em ambiente externo
à moradia. Do universo da pesquisa, as classes DE correspondem a 69,5%. A
classe AB (69,2%) e a C (68,1%) realizam refeições fora do domicílio.
Os lanches são a
segunda refeição com maior percentual. A classe DE representa (61,3%). As
classes AB (60,7%) e 57,2% a classe C. O jantar, que aparece como opção de
lazer para os entrevistados, tem na classe AB o maior percentual (56,4%),
seguido pela C (28,7%) e C (23,1%). Para o café da manhã, as classes DE têm o
percentual de (16,8%). Na segunda posição, aparecem as classes AB com (16,1%) e
a C com (10,9%).
CRIANÇAS E ADOLESCENTES
As informações da
pesquisa IBGE-MS fazem um alerta, ou seja, uma em cada três crianças com idade
entre 5 e 9 anos estão acima do peso recomendados pela Organização Mundial de
Saúde (OMS) e MS. No caso dos adolescentes brasileiros, os índices identificam
que, na faixa etária de 10 a 19 anos, houve um salto de 3,7% (1970) para 21,7%
(2009) nos casos de sobrepeso e obesidade.
Foi identificado que
população infanto-juvenil consome pouco feijão, saladas e verduras. Os números
afirmam que 50% dos adolescentes comem fora de casa, e consomem salgados
(industrializados, fritos ou assados), pizza, refrigerante e batata frita. Dos
números, “o consumo de biscoitos recheados foi 4 (quatro) vezes maior entre
adolescentes. Já nos sanduíches, os adolescentes e jovens adultos consomem duas
vezes mais que os adultos e idosos”, cita o documento.
A CONSCIÊNCIA DA OPÇÃO SAUDÁVEL
Os dados do IBGE/MS dão conta de um desafio nos hábitos
alimentares saudáveis fora de casa. A
conscientização centrada na boa educação alimentar deve ser uma atitude
permanente, contribuindo para a qualidade de vida de todos nós.
Em relação às crianças
e aos adolescentes, os profissionais de nutrição, ligado à alimentação escolar,
têm papel fundamental ao desenvolver ações de conscientização pelos hábitos
saudáveis junto aos estudantes, pais, trabalhadores da educação e população em
geral.
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(*) Antônio Coquito é Jornalista Profissional MG06239JP,
Especialista em Marketing e Comunicação com Ênfase Temáticas Sociais, Cidadania
e Direitos Humanos, Políticas Públicas, Desenvolvimento Sustentável e
Responsabilidade Socioambiental
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